Aulas, News, Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja, Tradução
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Iluminando o Caminho de Bhakti

Burijana dasa: Dhanurdhara Maharaja e eu não estávamos aqui da última vez que você falou, mas nós escutamos a fita.

Sripad Dhanurdhara Maharaja: Mas nós não pudemos compreender pela fita o que você estava fazendo. Nós não compreendemos os seus gestos.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: As mañjaris.

Sripad Dhanurdhara Maharaja: Era sobre as mañjaris. Você disse: “É desse jeito.”

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Tamal Krsna Maharaja pode descrever melhor do que eu.

Sripad Dhanurdhara Maharaja: Ele já nos disse, mas nós queremos ouvir de suas realizações.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Você nos disse que o que você estava falando não estava em livro algum.

Burijana dasa: O meu entendimento deste exemplo foi que o coração de Rupa Mañjari é tão dedicado à Srimati Radharani que ela sente tudo que Srimati Radharani sente. Eu também entendi, por sua declaração no final, que devemos ser dedicados ao nosso guru da mesma forma. Sem rendição e sem dar o coração ao guru, não funciona, especialmente em raganuga.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Essa entrega e dedicação completa do coração para guru é chamado tadatmya (unidade de coração) em sânscrito. Quando uma barra de ferro é colocadoa no fogo, as qualidades do fogo entram no ferro. Quando o fogo permeia uma barra de ferro é o fogo que arde outros objetos; não é a barra de ferro que queima os outros objetos; A barra de ferro pode considerar, “Eu sou o fogo”, no sentido de que as qualidades do ferro tornaram-se unas com as qualidades do fogo; e agora ela faz o trabalho do fogo.

Da mesma forma, Sri Rupa Mañjari e todas as outras mañjaris são tadatmika (um só coração) com Radha, então as ações de Radha se tornam as ações de todas as mañjaris. Em outras palavras, o que quer que Ela realize também é realizado por cada uma das mañjaris; nada é escondido delas. Algumas coisas podem ser escondidas de Suas sakhis, mas não de Suas mañjaris.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Então, hoje você irá continuar de onde parou?

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Vocês querem ouvir o resto?

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Oh sim, muito. Só o que você tem falado, já é tão útil.

Burijana dasa: Eu gostaria de ter as referências daqueles dois primeiros versos.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Os versos são encontrados no Bhakti-rasamrta-sindhu.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Eu disse a eles três slokas, o primeiro deles é este:

krsnam smaran janam casya prestham nija samihitam
tat tat katha ratas casau kuryad vasam vraje sada
(Bhakti-rasamrta-sindhu (1.294)

“Enquanto nos lembramos de Sri Krsna e dos Seus amados companheiros a quem desejamos seguir, estando totalmente absorvidos nas discussões sobre seus passatempos, devemos sempre residir em Vraja. Se isso não for possível, então devemos residir lá mentalmente.”

Vocês ouviram as explicações deste sloka? Ele se refere a nos lembrarmos de Krsna junto com Seus mais queridos associados.

E aqui está o segundo sloka:

seva sadhaka rupena siddha rupena catra hi
tad bhava lipsuna karya vraja-lokanusaratah

“Neste caminho de raganuga, estando encantado com o intenso amor dos amados Vrajavasis de Krsna, o sadhaka deve viver em Vraja sob a orientação daqueles devotos que se abrigaram nos Vrajavasis (como Sri Rupa, Sanatana e Raghunatha dasa Gosvamis), sempre pronto para servi-los em seu corpo físico presente. E, na fase aperfeiçoada de seu siddha-rupa, o corpo espiritual concebido internamente adequado para a realização de prema-seva, ele deve se engajar no serviço acalentado a Sri Krsna de acordo com seu humor escolhido. Desta maneira, ele deve seguir os passos dos residentes eternos de Vraja, como Sri Radhika, Lalita, Visakha, e Sri Rupa Mañjari.”

Seva significa “serviço”. Sadhakarupena refere-se a funcionar neste mundo como um praticante de raganuga-bhakti, e siddha-rupena refere-se a servir no corpo espiritual aperfeiçoado, o que é conseguido quando a avidez intensa surge. Pela graça de guru e Krsna, a siddha-sarira (forma espiritual) do devoto é revelada em seu coração interno. Neste contexto, está escrito no Sri Caitanya Caritamrta (Madhya-lila 22,157):

mane nija siddha deha koriya bhavana
ratri dine kore vraje krsnera sevana

“Com a sua própria siddha-sarira, revelada pela misericórdia do guru, serve-se a Sri Radha-Krsna Yugala dia e noite em Vraja.”

Cada uma das jivas possui um corpo espiritual individual (siddha-sarira). Nós também temos nosso próprio corpo espiritual, mas ainda não se manifestou; agora ele está em uma fase de constituição. Assim como uma árvore inteira está contida dentro da semente da árvore, a nossa siddha-sarira completa com todas as suas características já existe na forma de semente. No entanto, como estamos agora em bahirmukha, o que significa que nos afastamos de Krsna, esta siddha-sarira não é vista. Quando, pela graça de guru e Gauranga nossa avidez brotar e, posteriormente, quando totalmente florescida, o siksa-guru ou diksa-guru podem nos mostrar a nossa siddha-sarira. Primeiro, ele vai nos dizer qual é a nossa identidade espiritual constitucional, como podemos ver no Jaiva Dharma onde o guru de Vrajanatha e Vijaya-Kumara disse a cada um deles a natureza das suas formas espirituais individuais.

Nossa siddha-sarira está agora em um estado latente. Srila Bhaktivinoda Thakura diz que em apenas uma vida ele pode ser revelado, mas eu vejo que para nós isso está há muitos nascimentos de distância. Ele simplesmente mostrou o caminho.

Quando Vrajanatha e Vijaya Kumara aceitaram diksa, viram Sri Caitanya Mahaprabhu com todos os Seus parikaras (associados) que estão com Ele. No momento da nossa diksa não fomos capazes de vê-los, mas eles são totalmente visíveis para uma alma realizada. Isto é o verdadeiro diksa.

Nós entramos na aula de diksa, mas o nosso diksa não está completo. Estamos em aula agora. Que Deus e guru derramem sua graça sobre nós, para que possamos tomar diksa completo, o que significa divya-jñana (receber conhecimento transcendental real) e divya-darsana (receber visão espiritual). Divya-jñana implica divya-darsana, como vemos com Vijaya Kumara e Vrajanatha. Eles tiveram darsana do Senhor, no momento de sua iniciação diksa, e eles imediatamente desmaiaram.

Depois disso, eles receberam toda a siksa necessária em Navadvipa de Sri Raghunatha dasa Babaji. Em seguida, e por ordem dele, eles foram para Puri, onde se encontraram com o discípulo de Vakresvara Pandita, Sri Gopala-Guru Gosvami, para novas perguntas e siksa.

Gopal-Guru Gosvami é um Vaisnava raganuga e é uma das oito sakhis principais. Tendo percebido que Vrajanatha estava em sakhya-bhava e que Vijaya Kumara estava em gopi– ou mañjari-bhava, ele revelou aos homens as suas identidades. Ele era tão misericordioso que ele chamou um de cada vez e disse-lhes: “Você é um amigo pastor de Krsna”, e “Você é uma serva de Srimati Radhika.”

Ele deu a ambos a asta-dasaksara (dezoito sílaba) gopala-mantra. Dasya, sakhya, vatsalya e madhura-bhavas são todos encontrados neste mantra; ele nutre e suporta todas as rasas. [Sri Caitanya Mahaprabhu recebeu de Seu Gurudeva o dasaksara-mantra, que é “gopi-janavallabhaya svaha.” Quando “klim krsnaya govindaya” precede “gopi-janavallabha svaha” se torna asta-dasaksara, um mantra de dezoito sílabas. Ed]

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Você disse que Sri Gopala-Guru Gosvami deu o mantra a ambos Vrajanatha e Vijaya Kumara, e você disse que este único mantra é para todas as rasas: dasya, sakhya, and madhurya.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Tudo está contido no mantra klim krsnaya govindaya gopi-janavallabhaya svaha, significando que as rasas de todas as jivas são mantidas por ele.

Mas há uma coisa a se considerar. Krsna (krsnaya) é a deidade para alguém em dasya e sakhya-rasa. Para este devoto, o nome Gopi-janavallabha (Gopi-janavallabhhaya) é o adjetivo que descreve as qualidades de Krsna; isto é, ele qualifica o primeiro nome.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Krsnaya.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Krsnaya. Quem é Krsna? Um devoto em dasya-rasa considera: “Ele é meu mestre e eu sou Seu servo.” Tal devoto pensa que Krsna é Gopi-janavallabha de uma forma geral.

Krsna é o nome proeminente para aqueles em sakhya-rasa também; tais devotos dão ênfase em Krsna ou Govinda. No entanto, aqueles que têm gopi-bhava, ou mañjari-bhava, focam em Gopi-janavallabha, e as outras duas palavras, krsnaya e govindaya, serão adjetivos de Gopi-janavallabhaya.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: E a respeito daqueles em vatsalya-rasa?

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Vatsalya segue o mesmo princípio.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Eles focam em Krsna?

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Eles se concentram em Krsna como a deidade com a qual eles são relacionados. Todos com vatsalya-bhava sabem de uma maneira geral que as gopis amam Krsna, mas eles não têm…

Sripad Madhava Maharaja: Ideia.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Eles têm uma ideia deste amor, mas nenhuma experiência. Ideia e experiência não são o mesmo. Devotos com vatsalya-bhava não sabem que todas as jovens gopis se envolvem em encontros amorosos íntimos com Krsna, e os sakhas também não sabem da natureza desses encontros.

Para aqueles com uma cobiça como a das mañjaris ou das gopis, “go” neste mantra se refere às gopis. Ele medita que “Govinda dá tanto ananda (prazer) para as gopis.” Tal devoto não vai contemplar outros significados. E ele acha que, “Pelo Seu aparecimento com cinco flechas de flores (Seu sorriso, Sua flauta, Suas belas bochechas, Suas sobrancelhas, e Seus olhares de soslaio), Krsna é imensamente atraente.” Desta forma, os dois outros nomes sustentarão o nome Gopi-janavallabha. Assim, o devoto com madhurya-bhava verá os outros nomes como adjetivos deste nome com o qual está relacionado.

Praticamente todos em nossa sampradaya enfatizam Gopi-janavallabha. Pela graça de Sri Caitanya Mahaprabhu, aqueles que vêm a esta sampradaya são principalmente de gopi-bhava. Alguns podem ser de outras rasas, como Srivasa Thakura, Murari Gupta, Anupama, e outros como eles.

Assim, Vrajanatha e Vijaya Kumara receberam o mesmo mantra, embora seus siddha-dehas (corpos espirituais) estivessem em rasas separadas. Vijaya Kumara viu seu Gurudeva como uma manifestação de Lalita e Vrajanatha o viu como uma manifestação de Baladeva Prabhu ou Subala.

Pode acontecer assim. O guru dá treinamento para servir sob a orientação de Lalita e Visakha em madhura-rasa. Rupa Mañjari, que é prana-sakhi de Radhika (no grupo de Suas servas mais íntimas), também dá treinamento em todos os serviços das servas de Radhika. Ela não faz isso como um guru, mas como um amigo do peito muito íntimo. Em madhura-rasa, todo mundo tem que ir até Rupa Mañjari para treinamento, a fim de servir como uma mañjari. Nós podemos ver o nosso guru como uma manifestação de Rupa Mañjari, não como a própria Rupa Mañjari. Nossa visão de guru não deve ser mayavada. Vocês entenderam?

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Você pode explicar esse assunto, por favor?

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Devemos ver nosso Gurudeva como uma manifestação de Rupa Mañjari; isto é bastante apropriado. Isto é o que se entende por dizer que Gopala-Guru Gosvami foi visto como Lalita e também como Subala. Isso significa que ele é a sua manifestação, assim como se pode ver Narayana, Vamana, e todas as outras encarnações em Krsna. Qualquer pessoa pode ver seu guru, desta forma, de acordo com a sua bhava interna, como uma manifestação. Caso contrário, vê-lo diretamente como Rupa Mañjari será mayavada (impersonalismo); é essencial que mantenhamos mayavada bem distante.
Aqui neste verso, seva-sadhaka-rupena significa que se realiza serviço externamente, como Rupa Gosvami fez. O que ele fez?

sankhya-purvaka-nama-gana-natibhih kalavasani-krtau
nidrahara-viharakadi-vijitau catyanta-dinau ca yau
radha-krsna-guna-smrter madhurimanandena sammohitau
vande rupa-sanatanau raghu-yugau sri-jiva-gopalakau
(Sad Gosvamyastakam 6)

“Eu adoro os Seis Gosvamis, que passam todo o seu tempo a cantar os santos nomes, cantando canções, e oferecendo dandavatpranama, assim humildemente cumprindo sua promessa de completar um número fixo diário. Dessa forma, eles utilizaram suas valiosas vidas e conquistaram a fome, o sono, e outros prazeres. Sempre muito mansos e humildes, eles ficaram encantados no rapto divino de se lembrarem das doces qualidades de Sri Radha-Krishna.”

Às vezes, ele ia para o Radha Kunda, às vezes para Govardhana, e às vezes para Nandagram. Em Nandagaon, ele às vezes ia para Ter Kadamba, e às vezes ele ia passar um dia em Uddhava Kyari, Nanda Baithak, Kokilavana, ou Javat. Ele visitou todos esses lugares muito queridos.

Ele sempre gostou de estar em Javat, porque Srimati Radhika, Rupa Mañjari, e todas as amigas de Radhika moravam lá. À noite, elas saíam de lá e iam se encontrar com Krsna em Sanket, Seva Kunja, e em muitos outros lugares, e ao meio-dia eles se encontrariam no Radha Kunda. O Radha Kunda detém uma importância maior do que todos os outros lugares, porque os passatempos de lá acontecem durante o dia, apenas com o gana (grupo) de Srimati Radhika.

Sripad Madhava Maharaja: Sua gana, quer dizer as Suas svapaksa-sakhis (as gopis de Seu próprio grupo)

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Apenas as svapaksa-gopis podem ir lá. As vipaksa-gopis (aquelas no grupo rival) e as tatastha-gopis (aquelas que são neutras e que possuem alguma inclinação para o grupo rival) não são permitidas, nem podem…

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Nanda e Yasoda.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Eles nunca vão até lá.

Desta forma, sadhakarupena refere-se a seguir o Seis Gosvamis, especialmente Rupa Gosvami, e siddha-rupena refere-se a seguir Rupa Gosvami em sua forma siddha como Rupa Mañjari. Como um sadhaka, Rupa Gosvami vem em uma forma masculina, como Rupa Gosvami, e em seu siddha-svarupa (forma espiritual em Goloka Vrndavana) ele é Rupa Mañjari. Quais serviços Rupa Mañjari executa?

tambularpana pada mardana payo danabhisaradhibhir
vrndaranya-mahervarim priyataya yas tosayanti priyah
prana-prestha-sakhi-kulad api kilasaíkocita bhumikah
keli-bhumisu rupa-manjari-mukhas ta dasika samsraye
(Vraja-Vilasa-Stava, verse 38, Raghunatha dasa)

“Ela traz tambula para Radha e Krsna (uma preparação de noz de betel) e água muito bem adoçada com leite e ervas (payo-dana). Tambul arpana: Ela traz um pote de ouro quando Radhika e Krsna querem cuspir o betel depois de mastigá-lo.”

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Uma escarradeira.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Um pote de ouro é colocado para isso.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Para o Seu pana.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: E então, abhisara (encontro amoroso, ou encontro de amantes). Vocês sabem o significado de abhisara? Isto é, quando Radhika encontra Krsna em Sanket-sthali (um lugar de encontro). Por exemplo, ela vai ao encontro com Ele em Purnima.

Sripad Madhava Maharaja: A noite de lua cheia.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Ela se veste de branco na noite de lua cheia, e também durante Suklapaksa, os quinze dias da lua crescente. Ela se veste completamente de branco quando sai para Seu encontro noturno com Krsna na noite de lua cheia, e nas noites anteriores ela se veste de branco de acordo com o aumento gradual da lua. Mesmo que sua compleição seja muito alva e muito dourada, neste momento, as suas mañjaris esfregam cânfora misturada com muitos outros ingredientes em seu corpo.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Por que?

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: A fim de fazê-la parecer branca.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Por que?

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Dessa forma, se alguém olhar na Sua direção irão pensar que estão vendo apenas os raios da lua.

Sripad Dhanurdhara Maharaja: É um disfarce.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Este é o Seu disfarce.

E nesta hora, as mañjaris prendem os sininhos de Suas tornozeleiras de modo que eles não façam qualquer barulinho.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Nenhum barulho.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Nenhum ruído deve ser ouvido; E porque Ela não deve ser vista, Seu sari e Seu véu também devem ser brancos.

Por outro lado, em uma noite escura de lua nova (amavasya) uma sakhi diz a Radhika, “A noite é escura, então Você deve treinar como chegar lá.” Srimati Radhika então pratica à meia-noite. Nessa hora, ela faz Suas sakhis pegarem kalasas (vasos) cheios de água e despeja-los em seu pátio, a fim de torná-lo enlameado e muito escorregadio.

Sripad Tamal Krsna Gosvami: Prática.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Em seguida, elas colocam espinhos, aqui e ali naquele chão lamacento. Elas criaram um ambiente como se Radhika estivesse caminhando na floresta em uma noite nublada, com chuva caindo fortemente, fazendo com que a terra ficasse extremamente escorregadia, com muitas serpentes e espinhos também.
Assim, nesta situação, como ela pode ir até Krsna? Ela pratica durante a noite, movendo-se muito calmamente e com muita cautela. Assim. Vocês sabem a palavra para este tipo de caminhada?

Sripad Dhanurdhara Maharaja: Ponta dos pés. Muito calmamente. É chamado de ponta dos pés.

Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja: Da mesma forma que Lalita treina Radhika desse jeito, Rupa Mañjari observa, e nosso guru neste mundo, e como sakhi-mañjari naquele mundo, também observa.

As mañjaris sabem de tudo – em que momento elas devem ir e como elas devem ir – e muito inteligentemente tomam todas as providências. Isto é abhisara.

Krsna está esperando em Sanketa. A noite é escura, e está chovendo. As mañjaris chegam lá primeiro para encontrar Krsna e dizer-lhe que Srimati Radhika não virá naquela noite. Na verdade, Radhika já chegou e está escondida, esperando para ver a reação de Krsna. A fim de aumentar ainda mais o desejo de Krsna por Srimati Radhika, as mañjaris mentem para ele, dizendo: “Ela não virá hoje à noite.” Krsna praticamente desmaia neste momento, e ansiosamente sugere uma forma para Radhika vir se encontrar com Ele. Se as mañjaris percebem que Krsna está sinceramente ansiando para se encontrar com Radhika, elas vão imediatamente contar a Ela, e então, Ela vem até Ele. Caso contrário, ela não virá.

Às vezes, quando é o momento de abhisara, pode ser que seus sogros ou sogras, ou todas as suas cunhadas, estejam presentes em sua casa. As mañjaris devem ser muito espertas para que elas possam encontrar uma maneira de enganar os Seus sogros, dizendo-lhes mentiras e inteligentemente elaborar uma forma de fazer com que Radha e Krsna se encontrem. Isto é chamado abhisara. As mañjaris realizam todas essas atividades; elas sabem tantos truques inteligentes.

Parte 1 e Parte 2

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